Filho do embaixador de Portugal em Londres (1936-1943) Armindo Monteiro, partiu para Inglaterra aos treze anos de idade, aí vivendo a II Guerra Mundial. Licenciou-se em Direito e exerceu a profissão de advogado durante dois anos, após o que voltou para o estrangeiro, onde viveu por longos períodos.
Estreou-se nas letras, em 1960, com uma novela, Um Homem Não Chora, que logo o guindou a uma posição de primeiro plano, confirmada no ano seguinte por outra obra do mesmo género, Angústia para o Jantar, em que, no dizer de Óscar Lopes, se «denunciam impiedosamente certos preconceitos e ilusões dominantes».
Embora episodicamente haja retomado a escrita novelesca (E Se For Rapariga Chama-se Custódia, escrito na prisão em 1966, ou o romance inédito Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão, de que em 1984 extraiu a telenovela Chuva na Areia), o teatro absorveu daí em diante as suas atenções. Felizmente Há Luar, drama narrativo na linha do teatro épico brechteano, distinguido com o Prémio da extinta Sociedade de Escritores em 1962 e logo proibido pela censura, marca o início de uma obra não muito extensa mas muito significativa na sua corajosa defesa dos valores humanos essenciais: a liberdade, a dignidade humana, a justiça social.
Constituem-na as seguintes peças, na sua maioria traduzidas e publicadas em vários países: Todos os Anos pela Primavera (representada em 1963); O Barão, adaptação da novela homónima de Branquinho da Fonseca (1964); Auto da Barca do Motor Fora de Borda, transposição para a sociedade contemporânea do auto vicentino (1966); A Guerra Santa e A Estátua, duas peças num acto, que, pela sua violenta denúncia da ditadura e da guerra colonial, a censura apreendeu e custaram a prisão ao seu autor (1967); As Mãos de Abraão Zacut (1968); uma adaptação de A Relíquia de Eça de Queiroz, empreendida em colaboração com Artur Ramos (1970); Sua Excelência (1971) e Crónica Atribulada do Esperançoso Fagundes, revisão satírica de algumas fases cruciais da História pátria desde a fundação da nacionalidade até à revolução de Abril (1979).
Foi co-autor, com Alexandre O’Neill, dos diálogos da adaptação de Artur Ramos para o cinema da peça Pássaros de Asas Cortadas, de Luiz Francisco Rebello.
Cultivou também o jornalismo, onde se distinguiu por uma grande acutilância crítica e um estilo desenvolto de acentuada ironia, foi colaborador regular de várias publicações, fez parte dos conselhos de redacção de Almanaque e do suplemento «A Mosca», do Diário de Lisboa, onde criou a célebre figura da Guidinha, e dirigiu a publicação mensal Confidencial (1984-).
Editou a obra documental 5 de Outubro de 1910 (1975), escreveu os textos introdutórios para Cozinha Regional Portuguesa (4 vols., 1987-88), de Maria Odette Cortes Valente, e participou na obra colectiva Portugal: 4 Estações, publicada em 1991 pelo Instituto de Promoção Turística.
Nos anos sessenta traduziu autores como Salinger, Unamuno, Tennessee Williams, Harold Pinter, etc.








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