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Moço fidalgo de el-rei D. Manuel, D. João de Castro estudou Letras, por vontade de seu pai, mas preferiu seguir a carreira das armas, na qual muito se distinguiu, tanto nas praças de África como depois, no Oriente. Em 1538 parte para a Índia, na armada do vice-rei D. Garcia de Noronha, e nesta viagem escreve o primeiro dos seus três famosos Roteiros, notáveis tanto pelo conjunto de conhecimentos náuticos e cosmográficos que transmitem como, sobretudo, pelo espírito crítico e experimentalista que revela uma atitude permanente do seu autor.

D. João de Castro anota as experiências realizadas com verdadeiro rigor científico, numa linguagem minuciosa, exacta e expressiva, o que nos leva a considerá-lo, talvez, como o mais perfeito autor de «livros de rotear» do ciclo da Expansão.

Regressou a Portugal e, em 1545, foi nomeado governador da Índia, para onde partiu com os seus dois filhos, D. Álvaro e D. Fernando. O império português do oriente atravessava por essa época um período de grande perturbação, com as investidas constantes de vários principados vizinhos. D. João de Castro empenhou-se na organização da defesa de Diu, cercada pelo rei de Cambaia. Durante esse cerco, em que perdeu um dos filhos, escreve a justamente famosa Carta à Câmara de Goa, pedindo-lhe um empréstimo para as despesas da guerra e oferecendo como penhor da sua palavra as próprias barbas. Encontra-se, de resto, em toda a sua correspondência esse perfeito equilíbrio entre a elegância de estilo e de carácter, que é um aspecto dominante da sua personalidade. As Cartas de D. João de Castro, dispersas por várias colecções, foram editadas, em 1945, por Elaine Sanceau.

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. I, Lisboa, 1989

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