D. João de Castro anota as experiências realizadas com verdadeiro rigor científico, numa linguagem minuciosa, exacta e expressiva, o que nos leva a considerá-lo, talvez, como o mais perfeito autor de «livros de rotear» do ciclo da Expansão.
Regressou a Portugal e, em 1545, foi nomeado governador da Índia, para onde partiu com os seus dois filhos, D. Álvaro e D. Fernando. O império português do oriente atravessava por essa época um período de grande perturbação, com as investidas constantes de vários principados vizinhos. D. João de Castro empenhou-se na organização da defesa de Diu, cercada pelo rei de Cambaia. Durante esse cerco, em que perdeu um dos filhos, escreve a justamente famosa Carta à Câmara de Goa, pedindo-lhe um empréstimo para as despesas da guerra e oferecendo como penhor da sua palavra as próprias barbas. Encontra-se, de resto, em toda a sua correspondência esse perfeito equilíbrio entre a elegância de estilo e de carácter, que é um aspecto dominante da sua personalidade. As Cartas de D. João de Castro, dispersas por várias colecções, foram editadas, em 1945, por Elaine Sanceau.








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