Sob o patrocínio do então célebre advogado Estanislau Lopes, iniciou a sua carreira em Lobão, aldeia do actual concelho de Tondela, a sul do Caramulo. Aí constituiu numerosa família, pois do seu casamento nasceram oito filhos, dos quais se distinguiu Joaquim de Almeida Novais e Sousa, não só por completar a extensa obra de seu pai, mas, sobretudo, pela realização do Índice Geral da mesma.
Ora, em virtude dos infatigáveis estudos jurídicos que empreendeu, bem como pela sua experiência no exercício da advocacia, Almeida e Sousa em breve conquistaria um lugar de destaque entre os seus semelhantes, uma vez que muitos eram os clientes que, na esperança de veram resolvidas as mais particulares questões do foro judicial, recorriam ao seu elaborado parecer. Neste sentido, não podemos deixar de salientar a famosa questão do isento, a qual, consistindo numa árdua disputa de direitos e jurisdições entre o convento de Santa Cruz de Coimbra e o bispo da mesma diocese, D. Francisco de Lemos, parece ter constituído um caso deveras significativo na actividade do jurista português, ao ponto de implicar a sua temporária residência no meio conimbricense.
Tendo em conta a sua obra enquanto expressão da sua prática juridica, convém, pois, aí notar a influência do reformismo verneyano, aliás bastante próximo das linhas de acção que determinaram a reforma pombalina da Universidade de Coimbra. Quer dizer: se, por um lado, nela perpassa a ideia do direito natural baseado num conceito formal e abstratizante da razão, isto é, sem garantia divina e, portanto, confinado aos dados dos sentidos; e se, por outro lado, aí se revela a introdução de doutrinas estrangeiras no pensamento juridico português, como é o caso do Código Criminal da Toscana e do Código Civil francês, há que acentuar o seguinte: a posição anti-jesuítica de Almeida e Sousa, sem, contudo, negar a legitimidade da tradição católica.
Deste modo, a par dos elogios feitos pelo autor ao Compêndio Histórico da Universidade de Coimbra, assim como à Dedução Cronológica e Analítica, no seu legado sobressai a valorização que prestava aos estudos históricos no domínio da jurisprudência. Porém, manifestava clara repugnância pelas sangreiras jurídicas, dado que, na senda do progresso moral da humanidade, chegou a preconizar a abolição da pena de morte. Mais: contra toda a concepção retrógrada e obsoleta, não só pugnou a favor da suavização das penas, cuja aplicação estaria reservada ao Estado, como ainda pela abolição da pena de confisco.
Almeida e Sousa, conhecedor dos escritos de Montesquieu e de Falangieri, deixou-nos uma vasta obra na qual se compreendem os diversos «ramos» da jurisprudência, sendo de realçar o Direito Pátrio e, a atestar o ecletismo da época, o Direito Romano e Canónico. Estamos, sem dúvida, perante uma produção erudita, mas na verdade escrita «com ódio da gramática e da língua», conforme a expressão de Alexandre Herculano, pois nela transparece, agora no dizer do jurisconsulto Coelho da Rocha, a «falta de dedução e clareza, descuidos de redacção e de estilo e uma erudição ou série de citações que vai até cansar».
Alguns anos antes de falecer – 1819 –, Almeida e Sousa pôde ainda publicar vários escritos de índole crítica sobre obras de autores seus contemporâneos, entre as quais são dignas de relevo as Primeiras linhas sobre o processo civil, de Pereira e Sousa, e as Instituições do Direito Civil Lusitano, de Melo Freire. Acrescente-se, porém, que, em tal contexto, também logrou ser censurado pelo provedor de Coimbra, Manuel Fernandes Tomás – o futuro fundador do Sinédrio –, no livro intitulado Observações sobre o discurso que escreveu Manuel de Almeida e Sousa em favor dos direitos dominicais da coroa, donatários e particulares.
Por fim, resta-nos assinalar a iniciativa que Luís Guilherme Peres Furtado Galvão levou a cabo para, em 1836, fazer vir a lume a publicação do Directório para presto se achar nos vinte livros (que primeiro se publicaram) das obras do jurisconsulto Sousa, de Lobão (Lisboa), a que se seguiu, em 1840, a Continuação do Directório para presto se achar nos dez livros que ultimamente se publicaram das obras […], por sua vez impresso na cidade de Coimbra.














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