ruralidade açoriana, com as suas tradições e superstições, deu corpo ao romance O Meu Mundo não é deste Reino, publicado em 1983. Todavia, foi em Gente Feliz com Lágrimas, de 1988, que melhor conseguiu captar a essência da identidade açoriana, profundamente marcada pela insularidade e pela emigração. Ao longo de cerca de quinhentas páginas, o autor regista as peripécias de uma família de nove irmãos que se dispersa pela América do Norte, com excepção de um deles, o narrador do livro, também ele escritor. Na opinião de Óscar Lopes, o livro contém as «cenas mais pateticamente realistas da ficção actual» (História da Literatura Portuguesa, p. 1098). Traduzido em Espanha, França, Holanda, Roménia, Alemanha e Hungria, Gente Feliz com Lágrimas foi distinguido com os seguintes galardões: Grande Prémio do Romance e da Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Prémio Eça de Queiroz da Câmara Municipal de Lisboa, Prémio Cristovão Colombo das Cidades Capitais Ibero-Americanas (Lima, Peru, 1990), Prémio Fernando Namora e Prémio Antena 1 de Literatura.
A experiência da Guerra Colonial foi pela primeira vez tematizada em 1977, com A Memória de Ver Matar e Morrer. Em 1984, publicou Autópsia de um Mar em Ruínas, onde a barbárie da guerra é filtrada pelos olhos de um furriel enfermeiro, cargo que assumiu em Angola. Os livros de contos Entre Pássaro e Anjo e Bem-Aventuranças completam o testemunho apresentado nos romances. Tem também obra publicada em outros domínios, como a ensaística, a investigação literária, a crónica e a poesia. Organizou a Antologia Panorâmica do Conto Açoriano e Os Anos da Guerra (1961-1975), este último publicado em dois volumes, onde estão reunidos diversos textos literários sobre a guerra colonial. Publicou em 2000 um livro de viagens, Açores: O Segredo das Ilhas.
Centro de Documentação de Autores Portugueses

















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