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O seu romantismo e os seus ideais não admitiam razões que justificassem o crime político na pessoa do rei D. Carlos, tão pouco suportou a queda da Monarquia e do jovem rei D. Manuel. Todavia, o seu monarquismo seria mais de ordem sentimental do que convição política, pois o espírito crítico e a defesa da liberdade de imprensa encontraram-no sempre entre os primeiros combatentes, mantendo estreitas relações de amizade com grandes vultos da República. Depois da morte de D. Manuel (1932), abandonou a causa monárquica, que serviu sobretudo como historiador. Ele próprio explicou então a sua decisão: «Enquanto viveu, eu, amante da Liberdade, acima de tudo, não deixei de o reconhecer como soberano constitucional. Depois libertei-me. Ia procurando cumprir o que julgo a missão dos homens de letras. Não os compreendo sem o culto da Liberdade, devendo-lhe sacrifícios.» Desde então passou a escrever em jornais republicanos, tendo já anteriormente editado uma série de panfletos de crítica e discussão sobre a partidarização da República e os sinais de corrupção e decadência que esta ía testemunhando, publicados sob o título Fantoches/Bastidores da Política e dos Negócios, durante a década de 20. De parcearia com Mimon Anahory, fundou e dirigiu o hebdomadário ilustrado ABC (1920-1928), e o semanário Arquivo Nacional (1930-1939), repositório de história antiga e crónicas contemporâneas. Rocha Martins publicou a sua primeira obra em 1899, intitulada Os Párias, a que se seguiu o romance histórico Maria da Fonte, s/d.. Iniciou então uma série de romances históricos que granjearam popularidade: BocageMadre PaulaMestre de AvizRei Santo e Gomes Freire, este último na tentativa de ilibar o intemerato militar das acusações de adversário do liberalismo.

Empenhado nos ideais de Liberdade e Justiça social, inseparáveis da sua concepção de Democracia, participou activamente no movimento da Oposição Democrática em 1945 contra o regime de ditadura de Salazar. Nas colunas do diário República, dirigido então por Carvalhão Duarte, deu provas mais uma vez da sua aguerrida faceta de jornalista panfletário ganhando uma aura de popularidade invulgar. O seu nome tornou-se uma lenda viva, quando o República inseria os seus artigos contundentes. O jornal era então anunciado pelos ardinas de Lisboa com este pregão «Fala o Rocha!», seguido da observação «Está o Salazar à brocha!», dita em surdina, não fosse algum ouvido indiscreto escutá-la. Nesses dia o jornal era disputado pelo público esgotando-se rapidamente. A partir de meados da década de 30 escreveu também n’ O Primeiro de Janeiro colaboração que se veio a prolongar para além da sua morte, pois deixou mais de duas dezenas de artigos para publicação. O mérito dos seus trabalhos de investigação histórica impôs a sua entrada para a Academia das Ciências. Por expressa vontade testamentária a sua biblioteca transitou para a benemérita instituição A Voz do Operário (Lisboa).
Centro de Documentação de Autores Portugueses
05/1999

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