Poeta e político da geração de 70. Pertencia a uma família aristocrática e legitimista, no seio da qual foi instruído, até aos 18 anos, «debaixo dos mais severos preconceitos da educação antiga» (segundo palavras suas, numa entrevista).
Leu, entretanto, Byron, Lamartine e Victor Hugo, que, por um lado, lhe cultivaram a sensibilidade romântica, mas cujos «supremos ideais», por outro, o predispuseram à aceitação do pensamento revolucionário que agitava o meio estudantil coimbrão nos anos 60, quando ali se encontrou cursando Direito e convivendo com Antero de Quental, Teófilo Braga e outros «dissidentes». Tornou-se, então, adepto das ideias republicanas, ao serviço das quais havia de consumir, depois, o melhor da sua vida.
Em Lisboa, após a formatura (que só concluiria em 1866), viveu da advocacia e do múnus de professor liceal, sem, todavia, abandonar a luta política, que prosseguiu sem tréguas, discursando em comícios públicos, nos clubes e no próprio Parlamento (como deputado da maioria republicana em duas legislaluras, de 1882 a 1892).
Pertenceu ao directório do Partido Republicano e, logo após a queda da Monarquia, foi nomeado procurador-geral da República e reitor da Universidade de Coimbra. Foi, ainda, deputado às Constituintes de 1911 e eleito presidente da República em 24 de Agosto daquele ano, cargo que desempenhou até à Revolução de 14 de Maio de 1915, em consequência da qual veio a resignar, em 26 do mesmo mês, sem ter completado o mandato.
Cultivou a poesia, o ensaio e a eloquência. Os seus ensaios, teses e dissertações versam matéria política, social, económica, jurídica, etc., e visam, em geral, «realizar entre os homens os sonhos de beleza, de amor e de justiça» (cf. Harmonias Sociais). Quanto à poesia, a sua obra propriamente lilerária, sofreu influência das ideias e estéticas que convergiram na sua geração, sem chegar, todavia, a vencer o pendor romântico que lhe era natural nem a «ardente fé religiosa» em que formara o espírito na juventude. Além de um opúsculo intitulado Canto ao Pico, Horta, 1887, planeou, no final do século, reunir a sua obra poética dos anos de 1867 a 1899 em 4 vols., dos quais, porém, só viram a luz os dois primeiros: Cantos Sagrados, Lisboa, 1899, e Irradiações, Lisboa, 1901. O 3º. vol. devia conter poesias dispersas e o 4º. o poema Síntese Suprema (no género das epopeias da humanidade iniciadas entre nós com a Visão dos Tempos de Teófilo Braga)
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990








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