Com obras traduzidas em vários países e algumas adaptadas quer à linguagem cinematográfica (por Manoel de Oliveira, por exemplo), quer à linguagem teatral, também produziu textos expressamente destinados a crianças. As características omniscientes e demiúrgicas dos seus narradores contribuem para uma quebra da organização canónica do texto, em que vários espaços e tempos se entrecruzam na tentativa de explicação dos comportamentos assumidos pelas personagens. Estas, por sua vez, caracterizam-se por uma força vital assombrosa ou, pelo contrário, por uma fragilidade, uma impotência perante a vida, que ainda vem reforçar as características das personalidades dominadoras. É essa força telúrica que transforma as suas personagens em personagens mágicas que reorganizam o mundo à volta delas. Os seus textos narrativos são construídos através da integração de longos momentos descritivos em que a autoridade do saber do narrador se impõe, como se as suas caracterizações físicas, psicológicas ou sociais ultrapassassem, transcendessem os atributos possíveis de cada personagem ou de cada espaço.
Nos contos para crianças, o carácter sentencioso da sua escrita parece suavizar-se pela diminuição dos argumentos utilizados, mas reaparece através das características de um discurso formado por frases mais curtas e incisivas. As metáforas e imagens utilizadas também ora estão próximas do mundo da infância e assumem o humor impiedoso das crianças, ora denunciam a crítica mordaz que se esconde por detrás da experiência adulta.
Bibliografia selectiva: A memória de Giz (1983), Lisboa: Contexto; Dentes de Rato (1987), Lisboa: Guimarães; Contos amarantinos (1987), Porto: ASA; Vento, areia e amoras bravas (1990), Lisboa: Guimarães; O soldado romano (2004), Porto: Ambar; O Dourado (2007), Lisboa: Minutos de Leitura.
Avaliações
Ainda não existem avaliações.