Poeta e tradutor.
Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, pertenceu, desde 1975, ao Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, com o pelouro das Belas-Artes (História da Arte, revista Colóquio-Letras, artes plásticas, teatro, cinema).
Entre 1958 e 1975, foi director da editora Moraes, onde dinamizou a importante colecção «Círculo de Poesia» e editou a revista O Tempo e o Modo. Entre várias outras actividades, foi chefe da redacção do jornal Encontro (1956-57), órgão da Juventude Universitária Católica; dirigente cineclubista; director-adjunto da revista Flama; e professor do ensino secundário. Foi um dos orientadores dos «cadernos de cultura» Anteu, onde se estreou (1954). Colaborou em jornais e revistas de Portugal e do Brasil, tendo assinado durante alguns anos (1972-75) uma coluna de crítica literária no semanário Expresso.
A sua actividade de tradutor é muito vasta, incluindo a Imitação de Cristo, de Tomás de Kêmpis, grande parte dos Salmos (em versão adaptada ao canto), a Epopeia de Gilgamesh, os Manifestos do Surrealismo, de Breton, a História da Sexualidade, de Foucault, bem como obras de Sade, Reinaldo Arenas, Jabès, Victor Segalen, Flaubert, Fernando Savater, Perec, Camilo Jose Cela, Sartre, Pedro Almodovar, Bataille, Gabriel Garcia Marquez, Lautréamont, Alejo Carpentier, Prévert, Juan Carlos Onetti, Kristeva, Mario Vargas Llosa, etc.
A sua obra poética, igualmente extensa, foi coligida em Tábua das Matérias (1991), que lhe valeu o «Prémio da Crítica» e o «Grande Prémio Inapa de Poesia». À margem de escolas e movimentos, a sua poesia afirma-se como das mais cultas e inovadoras surgidas a partir da segunda metade dos anos 50. O pendor religioso dos dois primeiros livros desvaneceu-se progressivamente, em favor de uma óbvia ambiguidade discursiva, por vezes sarcástica, de tónica anti-convencional e rigor ático.
Joaquim Manuel Magalhães chamou a atenção para «uma Obra onde a linguagem encontra a harmonia do jogo, o empenhamento da lucidez retórica, a crença na possibilidade de escrever o real, de descrever as paixões, de inscrever a partilha da existência na pacificação das palavras.»
É comendador da Ordem del Merito Civil (Espanha), e oficial da Ordre National du Mérite (França). Representou Portugal em inúmeros congressos e encontros de escritores, fez parte da primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores (1973-75), e foi presidente do PEN Clube (1987-90). Poemas seus estão traduzidos e publicados em vários idiomas e países. Encontra-se representado em todas as antologias de poesia organizadas em Portugal nos últimos trinta anos.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999









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