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Após a demissão de ministro, Adriano Moreira ganharia grande popularidade no país e até no estrangeiro, sendo eleito presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa (1964-1974; presidente de honra a partir de 1975). No âmbito das actividades que promoveu naquela Sociedade, fundou a União das Comunidades da Cultura Portuguesa (1964) e a Academia Internacional de Cultura (1964).

Numa viagem que em 1966 realizou ao Brasil, onde proferiu várias conferências, foi admitido como sócio emérito da Academia Brasileira de Letras e recebeu o título de professor honoris causa pelas Universidades Federal do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília. Em 1968 receberia o mesmo título da Universidade da Bahia e, em 1972, da de Manaus. Em 1968 e 1969 foi presidente internacional do Centro Europeu de Documentação e Informação (CEDI).

Após o seu regresso a Portugal, seria eleito deputado, pelo CDS (Centro Democrático Social), em 1980, partido de que viria a ser presidente e do qual depois se desligaria. No âmbito da sua intervenção cívica foi o promotor do Instituto Dom João de Castro, em cujo boletim, Roteiros, assina regularmente o editorial.

Quando, em 1992, deixou a actividade docente, a sua bibliografia activa, então arrolada, ultrapassava já as três centenas de títulos, entre livros, artigos publicados em revistas portuguesas e estrangeiras, conferências, comunicações a congressos e trabalhos prefaciais importantes. Até meados da década de cinquenta, sobre Direito Penal e matérias afins e, a partir dessa data, sobre Política Colonial e temas com ela referidos, temas que, após o 25 de Abril foram substituídos por um ensaísmo político com o qual poder-se-á não estar de acordo, mas que reflecte uma vasta cultura e uma clarividente inteligência.

Aliás, terá sido essa clarividência que levou o governo de Salazar a demiti-lo de ministro, em 1962, e de director do Instituto Superior de Ciências Ultramarinas, em 1969. É ainda essa clarividência que o faz intitular de Tempo de Vésperas a série de artigos que publicou durante o ano de 1970 no diário Notícias da Beira, de Moçambique, e que no ano seguinte publicou em livro, em Lisboa, com o mesmo título. Tudo isto faz da obra do professor Adriano Moreira, algo de incontornável para os estudiosos do período final da ditadura salazarista e da era colonial europeia. Presentemente, dirige o Centro de Estudos Orientais da Fundação Oriente.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998

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