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Em 1923 é eleito Presidente da República, com o apoio do Partido Democrático. Nessas altas funções Teixeira-Gomes dá frequentes provas de tacto, de coragem, de independência e fidelidade à Constituição, enfrentando um período de dissenções partidárias e de intentonas militares; acaba por resignar, em 1925. Segue-se um período de novas e longas viagens, que se tornaria em exílio voluntário e definitivo com a ditadura militar de 1926 e a evolução para o fascismo em 1932.

Teixeira-Gomes retoma então, de longe e sem livros de apoio, a obra memorialística, epistolar, por vezes quase autobiográfica, que abandonara quinze anos antes. Em 1931 fixa-se em Bougie. Surgem, já depois dos 70 anos de M. Teixeira-Gomes, alguns dos seus livros mais importantes, entre eles as Novelas Eróticas, onde figuram textos dos mais significativos, uns beirando o fantástico, como «A Cigana», tratando outros a volúpia e o desencontro e outros ainda reproduzindo o mundo rural algarvio, como «O Sítio da Mulher Morta».

Maria Adelaide, apreendido pela Censura, é o seu único romance, que oscila entre a ternura e a crueldade na análise de uma relação de mancebia e da sua degradação.

No campo do livro fragmentário de heterogéneo feitio, onde predominam as cartas, as notas de canhenho, os juízos epigramáticos e as impressões de arte, atinge M. Teixeira-Gomes o ponto mais alto da sua geração, pela educada ironia, pela variedade e solidez da sua cultura: MiscelâneaCarnaval Literário, etc.

Em 1941, já quase cego, vivendo, só, num hotel de Bougie, firme na tenção de não voltar à Pátria privada de liberdade, extingue-se Teixeira-Gomes, epicurista e estóico, corredor de mundos, sempre enamorado da vida.

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990

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