Colaborador de A Berlinda e de O Calcanhar de Aquiles, foi o fundador de A Lanterna Mágica (1875), de O António Maria (1879-1885) e do Álbum das Glórias (1880-1883), folhas de pendor humorístico onde o seu traço inconfundível se juntou à crítica de costumes levada a cabo por, entre outros, Guilherme de Azevedo, Guerra Junqueiro e Ramalho Ortigão. A Paródia e Pontos nos ii foram outros semanários da sua responsabilidade e que lhe valeram a consolidação do seu nome como caricaturista. A sua fama, ultrapassando fronteiras, ocasionou o convite da Illustrated London News para seu colaborador e esteve na origem da sua ida para o Brasil, em 1875, a convite de M. Rodrigues Carneiro, como director artístico de O Mosquito, tendo fundado mais dois periódicos, Psit!!! (1876) e O Besouro (1879), ambos de curta duração, mas que o tornaram célebre também nesse país.
A ele se deve a criação da inesquecível figura do Zé Povinho, símbolo do povo português, criada nos primeiros números de A Lanterna Mágica, e a remodelação, nas Caldas da Rainha, em 1884, de uma fábrica de louça, cujos motivos se inspiravam na tradição e nos costumes portugueses, desde o fabrico de peças artísticas como a Talha Manuelina e a Jarra Beethoven até às figurinhas populares e bustos caricaturais que se tornaram característicos da nossa cultura e que até hoje perduram. Na Exposição Universal de Paris de 1889, as faianças das Caldas da Rainha obtiveram uma medalha de ouro e duas de bronze, tendo sido o próprio Bordalo Pinheiro galardoado com o grau de cavaleiro da Legião de Honra.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990












Avaliações
Ainda não existem avaliações.