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Descendente de uma modesta família de lavradores minhotos que as lutas liberais dispersaram, emigrou aos 10 anos para o Brasil, onde viveu uma vida aventurosa e difícil, de que a sua obra literária nos deixou curiosos testemunhos.

Instigado por Garrett, com quem, no Brasil, começou a corresponder-se e a quem votou uma admiração quase fanática bem expressa nos três vols. de Memórias (1881-1884), que lhe dedicou, regressou a Portugal em 1846 e aqui iniciou uma frutífera carreira literária como poeta romancista e, sobretudo, dramaturgo.

Se os seus versos (Cantos Matutinos, 1858; Efémeros, 1866) e romances (Os Selvagens, 1875, O Remorso VivoO Tenente SantelmoO Amor da PátriaAs Duas Fiandeiras) a custo atingem uma discreta mediania, já a sua obra teatral, muito estimada no tempo em que subiu à cena, ainda hoje oferece diversos motivos de interesse.

A sua primeira peça a ser representada, o drama em 5 actos Ghigi, 1851, cuja acção se localiza na Itália renascentista, foi antecedida por dois textos históricos que ficaram inéditos (D. Sebastião e D. Sancho II). Os dramas Ódio de Raça e O Cedro Vermelho, representados, como aquele, no Teatro Nacional, em 1854 e 1856, transpõem para o palco, como faria mais tarde no romance Os Selvagens, a sua experiência vivida em terras brasileiras e podem considerar-se, juntamente com Aleijões Sociais, 1870, vigorosa denúncia do tráfico de emigrantes, «no que têm de melhor, como precursores dos Emigrantes e da Selva de Ferreira de Castro», como observou Óscar Lopes, não obstante a linguagem retórica e a técnica convencional em que são vazados.

Mas a sua obra de maior interesse põe, justamente, em causa a estética teatral de que são oriundos, levando-a às extremas e mais absurdas consequências: a «paródia de melodrama» Figados de Tigre, estreada em 1857 com o título Melodrama dos Melodramas, em que, no próprio dizer do autor, «nada há que não seja irónico, simulado, burlesco, zombeteiro e caricato» e que, pela liberdade e extravagância de invenção cénica que a caracteriza, fere uma nota insólita na produção dramatúrgica do seu tempo e ainda hoje surpreende.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990

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