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Em 1896, aparece discretamente nas letras com a publicação de uma pequena plaquette que intitulou Flores, ainda não dando a dimensão do poeta que viria a ser, mas já reveladora da sua «musa triste» como lhe chamou Albino Forjaz de Sampaio. Em 1898, pouco antes de falecer (o que viria a acontecer no princípio de Janeiro de 1899), José Duro teve ainda ocasião de ver o seu único livro Fel acabado de sair da tipografia.

Acusando, embora, a forte influência dos universos de Poe, Baudelaire, Cesário e da própria vida e doença do seu autor (José Duro morreu de tuberculose), o voluminho, mergulhando obsessivamente no mundo da doença, decadência e morte, atinge-nos por um acento de aguda e sincera angústia e desespero. Duro, observou Santos Tavares, «é o poeta do sentimento tornado bolor, da mágoa feita em fel, da esperança vivida em pavor, da súplica ardendo raiva, da flor venenosa, do beijo impuro poeta da catástrofe, da paixão-desgraça, da nostalgia-desespero», o arauto, também, de uma «juventude sem auroras».

As opiniões a seu respeito desencontram-se desde os que, como Albino Forjaz de Sampaio, o consideram «tão grande como António Nobre, Cesário Verde», até aos que lhe negam qualquer orginalidade e importância. A verdade deve situar-se algures entre estes dois extremos. Vitimado muito cedo pela tuberculose, o seu talento inegável, com vincada tendência escatológica (et pour cause!), não teve tempo de amadurecer no sentido de uma maior depuração. Tal como ficou, Fel é, pelo menos, um documento humano de inegável pungência.

Em 1985, António Ventura recolheu num volume, em Portalegre, Páginas Desconhecidas de José Duro.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994

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