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Será o primeiro Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social, quando o cargo é criado, em 1933. Em 1936/37 é nomeado Ministro do Comércio e Indústria. Abandona o executivo quando Salazar precisa de um homem de total confiança política para acompanhar os acontecimentos em Espanha, mergulhada na guerra civil. É nomeado, em 1937, representante junto do Governo franquista em Salamanca e Burgos e, mais tarde, embaixador de Portugal no país vizinho. Fica em Madrid até 1945. É um dos principais consultores de Salazar sobre as relações com a Espanha e os problemas mais gerais de política externa durante a 2ª. Guerra Mundial. Esta actividade origina uma abundante e muito interessante correspondência – parcialmente publicada no Livro Branco e em colectâneas –, onde Pedro Teotónio Pereira se revela um observador atento e lúcido da sociedade espanhola e partilha em todos os pontos essenciais as teses de Oliveira Salazar sobre a orientação da política externa. É um dos grandes defensores da importância da Espanha na política portuguesa e um crítico das posições de Armindo Monteiro.

Em 1945, é colocado como embaixador no Brasil, mas a sua estada no Rio é curta. Em 1947, Salazar passa-o para Washington, devido à importância das relações com os EUA quando da formação da NATO. Defensor da adesão de Portugal à NATO como membro fundador, Pedro Teotónio Pereira ajuda a melhorar as relações entre os dois países, continuando a manter uma correspondência directa com Salazar, que passa por cima do Ministro Caeiro da Matta, relutante em relação à adesão. Será depois colocado como embaixador em Londres (1953-58).

A crise provocada pelas eleições de 1958, com o afastamento de Marcelo Caetano, faz com que Teotónio Pereira seja chamado a assumir a pasta da Presidência. É então normalmente considerado um candidato à sucessão de Salazar, numa função de ponte e elo de ligação entre as duas principais alas do regime, defendendo posições moderadamente liberalizadoras. Mantém esse cargo até 1961, quando apoia Salazar na crise marcada pelo começo da luta armada em Angola. As dificuldades que então se levantam nas relações com os EUA, onde o Presidente Kennedy chama a atenção para os erros da política africana portuguesa, levam a que seja nomeado pela segunda vez embaixador em Washington (1961-63). Pedro Teotónio Pereira ajuda a melhorar as relações entre os dois países, com uma política hábil e pouco ortodoxa, que contribui para que os EUA moderem a oposição inicial à política portuguesa para África. A sua missão é prematuramente interrompida pelas primeiras manifestações da longa doença que o acabaria por vitimar, diagnosticada nos EUA.

De regresso a Lisboa, afasta-se da vida política e é nomeado administrador da Fundação Gulbenkian. Começa então a redigir as Memórias, mas a doença que lhe vai quebrando a resistência só o deixa publicar dois volumes. É já patente no segundo a gradual perda das notáveis capacidades intelectuais.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. IV, Lisboa, 1997

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