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Foi a partir dos anos setenta que começou a colaborar regularmente com crónicas na Rádio, na Televisão e em diversos jornais e revistas. E é como que a cumprir uma mesma necessidade de comunicação humana – naquela atitude sempre um tanto perplexa, mas displicente e avessa a todas as formas de tensão – e a mesma vocação inicial para um memorialismo intimista, que os últimos livros que publica, sobretudo a partir de A Pesca à Linha, voltam tendencialmente ao ritmo da crónica e da memória. Seja na sua recolha, como quem no revê-las não desiste de uma sistemática interrogação dos comportamentos humanos e dos seus compromissos em sociedade ou face aos apelos subterrâneos de poder; seja nessa outra espécie de registo que é o d’ A Cor dos Dias, outra vez errante e outra vez enternecido.

Sócio da Academia Brasileira de Letras, da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Internacional de Cultura Portuguesa, a esse respeito preferiria no entanto que no futuro se dissesse que em cada uma delas teve pelo menos um amigo, não tanto por menor respeito por essas instituições, quanto pelo reconhecimento do carácter pouco académico do que na sua personalidade as levou a afeiçoarem-se-lhe (cf. A Pesca à Linha). Foi ainda presidente da Comissão de Avaliação do Mérito Cultural da Secretaria de Estado e do Ministério da Cultura, administrador e consultor da Fundação Oriente e presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Nesta última qualidade, tranquilamente mas ainda como quem aponta um interdito e obstinadamente reclama uma linguagem da verdade, ficaria célebre, pelo escândalo que causou em todos os quadrantes políticos, a sua intervenção pública por ocasião do 10 de Junho de 1997, no sentido de sugerir a substituição da letra do hino nacional por outra de teor menos guerreiro. O que não o impediria de ser detentor da Grã-Cruz da Ordem de Cristo e Oficial da Ordem de Santiago da Espada, para além de ter sido distinguido com várias condecorações brasileiras.

Por ocasião dos seus oitenta anos, a 29 de Janeiro de 2007, e por iniciativa conjunta dos seus editores e do Centro Nacional de Cultura, foi publicado o volume de homenagem ao A. intitulado António Alçada Baptista – Tempo Afectuoso (coord. de Guilherme de Oliveira Martins e Mª. Helena Mira Mateus). Dele se destacam, pelo testemunho da convivência pessoal, os depoimentos de António Ramos Rosa, Edgar Morin, Eduardo Lourenço, João Bénard da Costa, Jorge Sampaio, Mário de Carvalho, Mário Soares, Pedro Támen e Urbano Tavares Rodrigues.

Centro de Documentação de Autores Portugueses

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