Música foi dirigida por Gastão Faria de Bettencourt (1894-1962), jornalista e escritor. Ele também foi diretor do efêmero Vida musical: Quinzenário de divulgação musical (Lisboa, 1923-1924). Bettencourt trabalhou para vários jornais e publicou estudos sobre música e compositores brasileiros. Mais tarde, foi empregado pelo departamento de turismo e propaganda de Portugal, sediado no Rio de Janeiro (Brasil). Trabalhando com Bettencourt, João de Campos Silva atuou como diretor da revista; ambos contribuíram para o periódico com artigos e colunas de crítica musical.
Sem um programa claro, Música se apresenta no editorial do primeiro número como um meio de promoção das artes e da cultura da população. Nesse sentido, a revista tentou equilibrar o conteúdo musical com a publicação de poesia (especificamente da pianista e professora de música Oliva Guerra), e artigos sobre teatro, fotografia, cerâmica e crítica literária. Também cobriu a organização de concertos em diversas cidades, com a participação de Gastão de Bettencourt, do pianista Óscar da Silva, e a colaboração de outros músicos. Um breve comentário sobre concertos recentes também foi publicado no primeiro número. Semelhante a outras revistas de música da época, Música incluía artigos biográficos sobre compositores e músicos (por exemplo, Smetana, Fauré, Busoni e Beethoven), relatos sobre as atividades de compositores e maestros portugueses no país e no exterior (Cláudio Carneiro, Francisco de Lacerda, Ruy Coelho, Hermínio do Nascimento e Timóteo da Silveira), artigos com foco na história da música portuguesa (por Luís de Freitas Branco e Boavida Portugal) e na música brasileira. Nogueira de Brito (1883-1946), arqueólogo e prolífico crítico de música, arte e teatro em vários periódicos das décadas de 1920 e 1930, é responsável pelas resenhas de livros e é autor de um artigo sobre música popular. Um jovem Mário de Sampaio Ribeiro (1898-1966) escreve sob o pseudônimo de “Ego” no que foi possivelmente uma de suas primeiras aparições como jornalista musical. O crítico musical espanhol Adolfo Salazar contribui com dois artigos, encontrados na primeira e na última edição do periódico












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