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Com os Sonetos encerra-se o ciclo poético anteriano, e as ideias filosóficas que procurou apresentar em verso – «o idealismo dentro do naturalismo e o optimismo dentro do pessimismo» – irão ser desenvolvidas em prosa no ensaio Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX, onde, na qualidade de «antigo hegeliano que depois lera Leibniz», reage contra o positivismo científico da época e que António Sérgio definiu como «um livro de esperança a que a aspiração moral levou um pessimista».

A presidência da Liga Patriótica do Norte, em 1890, constitui o seu último acto público. Em Junho de 1891 regressa a São Miguel e é em Ponta Delgada que se suicida, em Setembro desse ano, quando se preparava para regressar a Lisboa.

Se a análise temática e ideológica da obra anteriana tem sido feita com alguma abundância, o seu valor literário tem sido com menos frequência e eficácia alvo de sondagem exaustiva. Não é ainda muito claro o que pensam da «arte poética» do Antero dos Sonetos alguns dos nossos melhores críticos. A alta figura moral do autor das Odes Modernas, a sua afrontosa coragem e eloquência como que inibem uma análise objectiva de algumas das suas fraquezas como artista. Por outro lado, o prosador de ideias, o polemista, o epistológrafo, mereciam uma análise meticulosa, que revelaria, é quase certo, um dos mais notáveis e eficazes artistas da prosa de toda a nossa história literária.
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. II, Lisboa, 1990

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