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Pedro Calapez, um dos pintores mais importantes da geração que agora anda pelos quarenta anos, realiza uma pequena antologia de obras suas sobre papel e escolhe entitulá-la “de dentro e de fora”. Trata-se de um conjunto de obras relativamente recentes, realizadas entre 1992 e 1998. Contudo, será o titulo que nos importa aqui reter, porque ele traduz uma atitude comum a todas as obras, um conceito que subjaz à própria obra de Pedro Calapez, seja ela realizada sobre papel, onde a possibilidade de criar e representar o espaço adquire características semelhantes à da escultura, ou sobre tela, com todas as potencialidades que a matéria da pintura proporciona. Dentro e fora: as duas palavras implicam a existência de um lugar original, a partir do qual tudo se passa. Implicam, também, a existência de um sujeito que estabelece a relação de interioridade e de exterioridade com esse lugar.os desenhos de Calapez reproduzem sempre uma imagem original: imagem mental, apenas existente na sua própria memória visual, ou imagem apropriada, como se o fenómeno físico do eco possuísse o seu equivalente em pintura. Digamos que este processo de reprodução e apropriação mental, quer se exerça sobre imagens de Dacosta ou paisagens de Silva Porto, possui uma correlação material, no duplo traço que nunca é mimético, mas quem como uma sombra, evoca a imagem (ou o traço) primeira.

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